quinta-feira, abril 29, 2004

Animais de estimação

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Gostava de ter um gato ou um cão.
Como não tenho vou-me entretendo a fotografar alguns dos que encontro.
Assim posso dizer que tenho animais de estimação virtuais.

Aqui ficam os meus cachorros virtuais. Se preferirem gatos, podem ir aqui. São liiiiidos!!!

terça-feira, abril 27, 2004

Encontro de Blogs

Próximo sábado mais de meia centena de bloggers vão finalmente ver-se cara a cara. Por mim falo que não conheço ninguém, nem pessoalmente nem mesmo por foto. A Jacky diz que já está a stressar com a ansiedade.

Eu tenho algumas expectativas, claro, curiosidade em ligar textos e rostos. Nunca fui a um encontro destes, de bloggers, ou de frequentadores de canais do irc, por isso não sei como irei reagir. Tenho consciência que somos demais para conseguir conversar com todos, necessariamente se irão formar grupos.

Sei que vai ser sempre um choque porque vamos confrontar uma imagem de alguém com o que ela efectivamente é. E de certeza que quer essa imagem tenha resultado de descrições feitas quer da nossa própria imaginação dificilmente irá coincidir com a realidade.

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“Que dizer? Que vestir? Como nos vamos apresentar?” continua a Jacky.

Acho que a última dúvida é importante. Não só como nos vamos apresentar mas como vamos ligar a pessoa que temos à frente ao blog que costumamos consultar no nosso computador. Já pensaram em fazer um daqueles crachás de lapela com o layout do blog para uma mais directa identificação? Deixo aqui o meu, directo e pouco imaginativo, que o tempo tem sido curto.

E o vosso como seria?

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Mas podemos sempre seguir a sugestão do Fernando e permanecermos incógnitos, cada um arranja um nome, por exemplo de uma personagem de B.D. e usa esse nome.

O que acham?

(Eu cá fico com o Garfield ou com a Pink Panther)
(Poxa não devia ter dito, agora vou ter de arranjar outro).

domingo, abril 25, 2004

A puberdade de uma nação.

Eu gostava de dizer alguma coisa a propósito dos 30 anos do 25 de Abril, não gostava de deixar passar sem referência a data, agora que tenho um blog onde posso partilhar o que penso e o que sinto.

Se o 25 de Abril não tivesse acontecido em Portugal, se o estado das coisas se tivesse mantido, ou evoluído em continuidade, nesta altura o mais provável era eu não ter um blog. Mas admitindo que o tinha, deveria submeter previamente cada post a uma entidade censória para a mesma determinar se o que escrevo podia ser publicado, ou se teria de sofrer alterações, cortes, mutilação. Quereria saber quem eram as pessoas com que me dava, de que falávamos, onde nos reuníamos, se a reunião fosse possível.


Se o dia 25 tivesse sido apagado da nossa história, estaríamos num país vivendo à volta do seu umbigo, ignorando as influências do exterior, vivendo com expectativas mínimas, sobreviver e quem sabe um pouco mais.


Hoje acordei com o rádio entrevistando o que designaram a geração de Abril, pessoas com quase 30 anos, nascidas ainda no calor da revolução. Para todos o 25 de Abril era já um facto distante, conhecido fundamentalmente dos livros de história escolares.


Eu não estudei o 25 de Abril na escola. Eu senti o 25 de Abril como criança, vi-o reflectido nos que me rodeavam. Se fosse um pouco mais velha tê-lo-ia vivido um pouco mais, se habitasse uma cidade grande teria saído para as ruas, ter-me-ia misturado com a multidão, sentir o prazer de ser parte de um conjunto, fazer parte da história. Eu senti o 25 de Abril nos livros que fui lendo, nas histórias que me foram contando, nas recordações difusas que aprendi a interpretar com o tempo e a idade.

Já o disse antes por isso perdoem a repetição. Comparo Portugal a uma pessoa, e o nosso país, na época da revolução era um adolescente, porque era sonhador, idealista, porque acreditava que poderia tornar-se um país melhor. O país era um adolescente porque antes fora uma criança, filha de pai tirano e castrador, que não lhe dava o direito de se exprimir, o poder da decisão, que impunha a sua ideologia e castigava quem a não seguia.

Acho que o 25 de Abril foi a última revolução romântica no nosso mundo, dificilmente algo equivalente voltará a suceder, a maior parte dos países são já adultos pragmáticos, conservadores, onde o sonho morreu já. Alguns são ainda crianças travessas, ou mimados, ou negligenciadas e não tem espaço para o sonho. Uma revolução como a nossa, feita com armas sim, mas também feita com música e flores, uma revolução em que a violência nunca foi a primeira opção, uma revolução que se baseou no apoio popular que sabiam existir, no descontentamento de uma nação que vivia com medo, uma revolução como a nossa é uma marco neste nosso planeta em que as mortes se sucedem, em que o respeito pela vida humana é todos os dias esquecido, não só pelos indivíduos mas também pelas instituições e pelos governos que se dizem democráticos.


“Somos filhos da madrugada…”
Assim me sinto eu, filha de uma madrugada com 30 anos de vida…

Horóscopo das Flores

PAPOILA (de 6/8 a 28/8 )

"Esta flor de cores brilhantes é a fonte do extracto usado para preparar o ópio. As pessoas nascidas sob o signo da Papoila gostam de viver ao ritmo da aventura. São optimistas, alegres e fazem questão de disseminar energia positiva e alto astral por onde quer que passem. Estão sempre em busca de novidades e não se lamentam quando algo dá errado, pois acreditam na importância de aprender com as experiências. Buscam avidamente novos conhecimentos e colocam paixão em tudo o que fazem. Tendem a exercer verdadeiro fascínio sobre o sexo oposto, mas podem se comportar de um jeito bastante instável nos relacionamentos amorosos." in Linguagem das Flores



Agrada-me ser uma papoila ...

sexta-feira, abril 23, 2004

Fim de tarde à beira-mar

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Estava um fim de tarde bem bonito, o vento um pouco frio, é verdade, mas isso não se sente na fotografia. Sempre que passo de carro por aqui sinto vontade de parar e apreciar mais demoradamente, quase nunca o faço, existem sempre condicionantes.
Gostei do efeito das sombras longas do entardecer, criando uma segunda textura que combina com as marcações na betonilha no passeio.

As faces da ferrugem II

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sábado, abril 17, 2004

Inspiração

Existem dias em que a inspiração não chega. Hoje é um desses dias.

Apesar do mar que se estende à minha frente, da sua ondulação ligeira e brilho vivo, apesar da espuma branca que se forma quase sob os meus pés, apesar do farol que se recorta contra o céu, sobre o molhe, apesar das gaivotas que passam lentamente à frente dos meus olhos, perscrutando o mar em busca de peixe, apesar do sol que brinda o mar, apesar de tudo não consigo escrever. Já ensaiei inícios vários, abandonados algumas linhas depois não satisfeita com o resultado. O erro deve ser certamente meu que quero contar algo que apenas se sente. Uma descrição é pálida, falta-lhe o calor do sol que me chega, reflectido pela ondulação do mar, falta o encanto da música, faltam todos os pormenores em que eu me prendo mas que contados perdem a graça.

A ferrugem na salamandra não é sinal de degradação, mas a marca do tempo e da proximidade do mar. Gosto da ferrugem, gosto da textura da ferrugem em cima do metal, do modo como lhe vai alterando a forma. A ferrugem nos metais é um pouco como as rugas nos humanos, existem porque estamos expostos, porque sorrimos, porque choramos, porque sentimos, porque vivemos. O ferro sem marcas ainda não viveu, ainda não cumpriu os seus desígnios.

Não consigo transmitir a beleza da corda escurecida pelo uso quando o sol desenha com sombras os fios que se entrançam.

Existem dias em que a inspiração tarda em chegar …