domingo, março 21, 2004

Era uma vez ...

Era uma vez um reino distante habitado por sentimentos e sensações.

Havia paixões, amores, amizades, ódios, tristezas, alegrias, havia também orgulhos, preconceitos, avarezas. Viviam separados por castas, as paixões com paixões se davam, os ódios alimentavam outros ódios, as tristezas contagiavam-se mutuamente.

As invejas eram como hienas, sempre dissimuladas na abordagem, ávidas pelo saque mas sem coragem para assumirem a vontade.
Os orgulhos mantinham-se à parte, ignorando completamente os demais.
As desconfianças eram rios tumultuosos que minavam tudo à sua passagem.
Os amores eram quais frágeis flores que necessitavam todo o cuidado para não perderem o viço.
As ignorâncias eram felizes e inocentes, já que nada sabiam nada as perturbava.
As raivas eram como nascentes de águas quentes e sulfurosas.

Este era o reino de Norte, onde as castas viviam isoladas. A Sul existia outro reino, onde os sentimentos se misturavam.

Os amores eram contaminados por dúvidas e desconfianças. Os desalentos eram diluídos pelas alegrias, as saudades mitigadas pelas recordações.

No reino de Norte os dias decorriam sempre iguais, no reino de Sul ninguém conhecia o seu futuro.

(apeteceu-me ser criança e contar uma história que começasse por: ERA UMA VEZ...)

Amor e paixão

Erro simplista e infantil o meu, o de confundir amor e paixão. O de tomar a parte pelo todo.
As paixões são fortes e efémeras, podem ser lavadas facilmente pelas gotas de orvalho da manhã. Ou podem transmutarem-se em amores, mais constantes, calmos e confiáveis.
Uma paixão é uma montanha russa, cheia de adrenalina. Um amor é um carrossel de criança, vai dando as suas voltas muito mais calmamente. As paixões têm a urgência, os amores todo o tempo do mundo.

Mas ás vezes confundimos as definições tentando com isso dar notícia da intensidade com que sentimos. Como se ao dizer paixão, usássemos um superlativo, e estivéssemos a falar de um amor intenso, forte, de um amor apaixonado, que se mantém palpitante. Mas paixão não é um superlativo de amor. Amor e paixão são efectivamente sentimentos diferentes, que em determinada altura podem mesmo coexistir.

sábado, março 20, 2004

Conhecer

Conhecer as pessoas como um livro.
Não ficar só pelas informações da capa, nem se ater aos pequenos resumos e opiniões diversas que colocam nas badanas.
Mas folhear cada página, ler com cuidado tudo o que contam.
Apreciar a forma como os capítulos se sucedem, as histórias que narram, o testemunho das experiências que transmitem.
Apreciar as imagens que nos incendeiam a imaginação.
E ler quantos livros forem colocados ao nosso alcance.
Era isto que eu gostava de fazer sempre, de poder fazer sempre.

quinta-feira, março 18, 2004

P... de vida!

Há algum tempo atrás, para ilustrar este post , fui buscar uma foto de Curtis Neeley .
Ontem o autor da fotografia deixou um comentário no blog, com curiosidade pelo motivo que me teria levado a usar a sua fotografia.

Quando visitei a sua página, só reparei nas belas fotos, o tempo foi curto e nem me fixei na sua biografia. Explicado o motivo, tradução do post enviada, e claro, parabéns dados pela qualidade das fotos, não esperava resposta ao meu e-mail.

Mas recebi … e com isso fiquei a saber que hoje quem tirou aquelas fotos se encontra tremendamente limitado na sua mobilidade e na sua capacidade de executar qualquer tarefa, mercê de um acidente violento que o deixou em coma durante meses.

Imagino que a vida esteja a ser tremendamente difícil, pela limitação a que está sujeito e pelas condicionantes económicas que certamente se colocam na sequência de um acidente tão violento e com tantas sequelas.



Não deixem de visitar o site e apreciar o seu trabalho, desejando que mesmo com as limitações impostas posso continuar a mostrar-nos a sua forma de olhar o mundo.



Que tenhas muita força, Curtis!

quarta-feira, março 17, 2004

A duração de uma paixão!

Foram-me dadas muitas respostas e muitas dúvidas também. Não sei qual é a duração de uma paixão, mas acho que tem razão quem disse, depende da pessoa e do objecto da paixão.
A minha paixão pelo blog ainda não esmoreceu, e já lá vão quase 9 meses, uma gestação inteira. Mas a minha paixão pelo blog está arreigada numa paixão mais antiga, que é a minha paixão pela escrita, a minha paixão por palavras, a minha paixão por ideias e por sentimentos. E essa paixão, posso afirmar com toda a convicção, me irá acompanhar vida fora, quantos anos quantos somar a minha existência e consciência neste mundo. Mesmo que o meu corpo já não responda sei que o meu cérebro vai continuar a escrever histórias como agora faz noite dentro, ou quando estou presa no trânsito, ou no meio de outras coisas que vou fazendo. Vai continuar ensaiando frases que tantas vezes acabam diluídas na memória porque não existe suporte que as cristalize.

A duração de uma paixão pode ser uma vida inteira.

terça-feira, março 16, 2004

Será?

Li num blog, de que não guardei nem o nome nem o link, que a vida de um blog ronda em média os 6 meses.
Será essa a duração de uma paixão?

domingo, março 14, 2004

Transcrições

O Blog do Bidé acha que as coisas mais chatas são as transcrições que proliferam um pouco por todos os blogs, que uns as fazem por



O post deixou-me a pensar. Desde já me confesso culpada, culpada, várias vezes culpada, se não fosse pelo presente post, por todas as outras vezes em que aqui coloquei letras de músicas que eu obviamente nunca escrevi, poemas que muito me dizem mas cujas palavras também não saíram da minha lavra, fotos de sítios que nunca visitei, quadros que nunca pintei. E se quiserem ainda pelas muitas vezes que me transcrevi a mim própria colocando textos já escritos para outros fins, noutros momentos, partes de mim que já deixaram de existir transformadas que foram pela vida.

Porque o faço? Por nenhuma das razões apontadas, mas por uma quinta, que espero julguem válida, o desejo de PARTILHAR. Assumo que terá uma percentagem de ingenuidade da minha parte o meu desejo de partilhar coisas com pessoas que não conheço, que nunca vi, e pensar que as mesmas se possam interessar, mas a verdade é que eu também me interesso pelas muitas partilhas deixadas em outros blogs, uma música que nos deixa em sintonia, um poema que espelha a nossa alma, uma foto que nos toca de uma forma intensa.

Claro que gosto de partilhar o que escrevo, o que sinto, o que penso, o que faço mas também gosto de partilhar as coisas de que gosto. E tantas vezes o que eu gosto diz mais de mim própria e do meu estado de espírito do que todas as palavras que em determinado momento eu pudesse escrever.

E para reassumir a minha culpa de transcritora crónica, aqui fica mais uma em jeito de remate. Ironia das ironias, transcrevo-me a mim própria, por não encontrar quem melhor diga aquilo que estou sentindo.


    “Às vezes, com o meu blog, sinto-me como um DJ, que apenas faz a selecção da música que outros criaram.
    Mas ainda assim, com essas melodias, das quais não tenho nem a honra nem a culpa, estou a tomar uma posição, a passar uma mensagem.
    Afinal é só uma questão de instrumentos…
    Algumas vezes toco letras, umas a seguir às outras, formando palavras que contam do que se passa à minha volta.
    Outras vezes toco frases já escritas, imagens já definidas, e o “eu” está na escolha que faço.” 3-12-2003

Mar

mar-farolc.jpg

O mar e o rio

marerio3c.jpg

Estive a ver as ondas do mar, de perfil, na entrada da Barra do Douro, com a Afurada por fundo.
O mar eleva-se e começa a borbulhar como se fervesse e não sei se é do vento, se do ponto de vista, deixa para trás um fumo branco feito de gotículas em suspensão.
Nunca tinha reparado!
Olhado assim, este braço que mar que fecunda o rio, parece fervente de paixão, em pura ebulição.

sábado, março 13, 2004

Tocando Em Frente

Ando devagar porque já tive pressa
E levo esse sorriso porque já chorei demais.
Hoje me sinto mais forte
Mais feliz quem sabe?
Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei.
E nada sei.
(…)
Eu vou tocando os dias pela longa estrada
Eu sou...e pela estrada eu vou...
(…)
É preciso chuva para florir.
Todo o mundo ama um dia...todo o mundo chora.
Um dia a gente chega ...o outro vai embora.
Cada um de nós compõe a sua história.
e cada ser em si carrega o dom de ser capaz de ser feliz....


Almir Sater e Renato Teixeira