quinta-feira, dezembro 04, 2003

Manhã

Hoje o mar tinha um borbulhar de nuvens junto à linha de horizonte, como se os raios de sol da manhã o tivessem feito entrar em ebulição.

Albert Einstein

"Não entendeste realmente alguma coisa enquanto não conseguires explicá-la à tua avó"

quarta-feira, dezembro 03, 2003

Blog

Às vezes, com o meu blog, sinto-me como um DJ, que apenas faz a selecção da música que outros criaram.
Mas ainda assim, com essas melodias, das quais não tenho nem a honra nem a culpa, estou a tomar uma posição, a passar uma mensagem.
Afinal é só uma questão de instrumentos…
Algumas vezes toco letras, umas a seguir às outras, formando palavras que contam do que se passa à minha volta.
Outras vezes toco frases já escritas, imagens já definidas, e o “eu” está na escolha que faço.
Isto é um pensamento … tecla a tecla, desculpem se não faz muito sentido.
(No que eu me meto, só para me afastar por momentos do trabalho que tem que ser feito.)

Amizade

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Ainda a morte ...

“Não chorem minhas meninas, quando eu morrer. É o que lhes peço. Mas elas não entendem que o único modo de reconstruir a vida é nascer de novo. Todavia para isso é preciso morrer.

Não somos castelos. Contudo também nós vivemos a memória do passado. De uma nostalgia de recordações que nos compensa a solidão e o aproximar da morte. Sei que irei, e que o castelo ficará cada vez mais em ruínas, à espera que o reconstruam. “

Descobri hoje este blog e gostei.
Aqui fica o link, vão dar um passeio por lá.

terça-feira, dezembro 02, 2003

Haverá vida após a morte?

Quando vi o titulo do post aqui, lembrei-me de uma frase brincalhona, de que desconheço o autor que dizia "Haverá vida antes da morte?”.

Sabemos que a morte é uma fronteira, que se cruza unicamente num sentido. Se é mais vida o que nos espera do lado de lá, ou a labuta diária que vamos fazendo por cá, não sei.
Gosto de pensar que tudo o que senti, tudo o que pensei, aquela que sou e fui, não se extinguirá quando a chama da minha vela deixar de arder. E que deixarei saudades, como saudades terei ...
Viverei enquanto a recordação do que sou e do que fiz permanecer naqueles com quem me cruzei.

AS COISAS BOAS DA VIDA … III

Este texto e imagem foram apanhados aqui, mas foi o Jotakapa que descobriu e me enviou.

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“Com excepção de vinho, chocolate e morangos, as coisas mais importantes da vida não são coisas... apesar de que, às vezes, as chamamos de... coisinha mais linda do mundo... coisa mais fofa que eu já vi... coisinha meiga que dá vontade de morder... coisinha que me faz morrer de saudades o dia todo... Não é coisa, e mesmo com todo nhé nhé nhé brega meloso, é importante igual. Agora me confundi.

Tem coisas, como o amor, que são coisas importantes. Mas o amor não é coisa. E as coisas mais importantes não são coisas. Mas o amor é importante. E a gente fala que o amor é uma das melhores coisas da vida... Se o amor não é coisa, como ele pode ser uma das coisas mais importantes da vida? ... ops, deu tilt...

Brincadeiras a parte, concordo com a ilustração total in love acima. O que seríamos para este mundo, sem as "coisas" inumeráveis, impalpáveis, invisíveis, inimagináveis, insuperáveis, incompreensíveis, e ao mesmo tempo, inacreditáveis que resolvem dar o ar de sua graça de vez em quando? “


As coisas boas da vida não são coisas palpáveis em que se lhe pode colocar uma etiqueta e um preço. Mesmo quando são efectivamente coisas, como o chocolate e os morangos, não são as melhores do mundo por essa razão, mas pelo prazer que o nosso corpo, e mais do que isso, a nossa alma, retira delas.
E se consumidas sem moderação, incansavelmente, acabam por perder o encanto, acabam por saturar.

Ao contrário existem outras coisas das quais nunca nos cansamos. E não são objectos, não as posso agarrar com a mão e guardar no bolso, são sensações, sentimentos…partilhas.

E mesmo não as conseguindo agarrar, nesses momentos o mundo inteiro cabe na nossa mão.

Natal

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segunda-feira, dezembro 01, 2003

1 Dezembro

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Dia internacional de luta contra a SIDA.

Pesquisa indica que 61% no Brasil acham que Aids (SIDA) não mata
07h25 - 17/11/2003 (fonte BBC, retirado do UOL)

Uma pesquisa realizada a pedido da BBC em 15 países revelou que 61% dos brasileiros entrevistados não acreditam que a Aids e o HIV possam provocar a morte.

O Brasil foi o país que mostrou maior ignorância das conseqüências da Aids para o ser humano, de acordo com a pesquisa, apesar de terem morrido 8,4 mil brasileiros em consequência da Aids em 2001, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). No México, 31% dos entrevistados disseram duvidar de que a doença seja fatal e, nos Estados Unidos, esse número foi de apenas 2%.

.........

leia toda pesquisa no site www.sexologia.com.br

Mari Boine - Sons em Trânsito

Chegamos a Aveiro para jantar. Corremos parte da cidade a pé, os poucos restaurantes que encontramos, estavam fechados, domingo não é geralmente dia escolhido para saídas à noite e a maior parte dos estabelecimentos aproveita e faz descanso. Quando já tínhamos desistido e estávamos resignados a um jantar no Shopping, rápido e sem encanto, vislumbramos sob um reclame, uma ténue luz que vinha das janelas. Estaria aquele restaurante aberto? Fomos lá por descargo de consciência, pensando que seria mais uma volta em vão.

Mas não, o jantar foi bem agradável, com o timing correcto para à saída apanharmos chuvada a meio do caminho e ter de fazer o percurso corrido entre montras de loja e vãos de portas.

O espectáculo começou com meia hora de atraso, passada a maior parte dela no foyer, porque a sala permanecia fechada enquanto os últimos testes ou ensaios eram feitos.

Mari Boine… para quem como eu gosta particularmente da música, vibra com ela, ondula o corpo ao ritmo mesmo das melodias mais suaves, foram duas horas muito bem passadas.

Gostei de a ouvir falar, no seu inglês arrastado, da sua terra, das tradições do seu povo, que, como gosta de salientar, vem de antes do cristianismo e nas escolas não é ensinada, da beleza agreste dos locais que lhe servem de inspiração. Dos contraste entre um Verão quente e povoado de mosquitos e do Inverno com temperaturas que para nós povos mediterrâneos não têm qualquer significado concreto, de auroras boreais, de borboletas, de flores persistentes, do voo da águia…

E foi no voo da águia que eu consegui condensar tudo. Sempre, ao escuta-la, me senti transportada em voo rápido e rasante sobre paisagens imensas e ainda naturais. Imaginava que me libertava das amarras da gravidade e conseguia percorrer distâncias enormes em poucos minutos, via a textura da paisagem que se sucedia, sempre com aqueles ritmos por fundo, via povos, na aurora dos tempos, prestando homenagem à natureza que tudo guia. Acho que a música dela tem um carácter de intemporalidade que me conquista, aqueles sons, mais entoados que cantados, que nascem e ecoam sem que a boca praticamente se mova, conseguem ser acompanhados quer pelo silvo do vento e restolhar das arvores, quer pelos sons sintetizados de uma guitarra eléctrica.
Gostei de escutar, sozinhos em palco, uma flauta e uma guitarra que chorava como um violino.

Mari Boine tem ainda um significado especial para mim, descobri a sua música num momento da minha vida em que tive de fazer escolhas, continuar a ser quem me tinha tornado, ou tudo questionar e renascer. Por isso, para além do voo da águia, na sua música, sinto o voo da Fénix em que me tornei nessa altura.

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