terça-feira, novembro 25, 2003

Outono vai a meio

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Neblina Matinal

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segunda-feira, novembro 24, 2003

Pedra Filosofal

Eles não sabem que o sonho
é uma constante da vida
tão concreta e definida
como outra coisa qualquer,
como esta pedra cinzenta
em que me sento e descanso,
como este ribeiro manso
em serenos sobressaltos,
como estes pinheiros altos
que em verde e oiro se agitam,
como estas aves que gritam
em bebedeiras de azul.

eles não sabem que o sonho
é vinho, é espuma, é fermento,
bichinho álacre e sedento,
de focinho pontiagudo,
que fossa através de tudo
num perpétuo movimento.

Eles não sabem que o sonho
é tela, é cor, é pincel,
base, fuste, capitel,
arco em ogiva, vitral,
pináculo de catedral,
contraponto, sinfonia,
máscara grega, magia,
que é retorta de alquimista,
mapa do mundo distante,
rosa-dos-ventos, Infante,
caravela quinhentista,
que é cabo da Boa Esperança,
ouro, canela, marfim,
florete de espadachim,
bastidor, passo de dança,
Colombina e Arlequim,
passarola voadora,
pára-raios, locomotiva,
barco de proa festiva,
alto-forno, geradora,
cisão do átomo, radar,
ultra-som, televisão,
desembarque em foguetão
na superfície lunar.

Eles não sabem, nem sonham,
que o sonho comanda a vida,
que sempre que um homem sonha
o mundo pula e avança
como bola colorida
entre as mãos de uma criança.

In Movimento Perpétuo, 1956

A António Gedeão

Rómulo de Carvalho nasceu a 24 de Novembro de 1906, se fosse vivo faria hoje anos. Mais conhecido para alguns como António Gedeão... como o poeta da Pedra Filosofal.

É um dos poemas que continuo a saber de cor, tropeçando aqui ou ali em alguma palavra decerto, que a memória prega partidas.
Fazia parte do meu livro de história da terceira classe e desde então de vez em quando recito-o, mentalmente, de mim para mim.

Porquê?
Talvez porque o sonho comanda a vida…


domingo, novembro 23, 2003

A primeira vez

Alguns relatos da primeira vez… no feminino e masculino, em brasileiro.
http://cadernodigital.uol.com.br/guiadosexo/minhaprimeiravez/default.htm

E em inglês, muito mais material, para todos os gostos
http://www.myfirsttime.com/

Mais ou menos VIRGEM

Este post é para vos falar de inaugurações.

Primeira inauguração.
Ontem coloquei no blog um campo com o endereço de email, já andava para o fazer, mas ia sempre ficando para depois.

Segunda inauguração.
Hoje recebi o meu primeiro email. Publicidade a um blog, recém-nascido mas que já esperneia que dá gosto ver. Mais ou menos virgem.

Terceira inauguração.
Usando a terminologia brasileira, tudo começou com um anúncio pedindo alguém que a inaugurasse definitivamente.

Anuncio engraçado: Virgem procura homem carinhoso para tirar virgindade
30 anos, bonita, 1 namorado, virgindade mal tirada, procura homem muito meigo para romper o resto.

Brincadeira pegou. De tanta mensagem até se torna confuso. Visitas pelos vistos não faltam, ainda não passou uma semana e já se prepara para completar o primeiro milhar …QUE INVEJA ;)

Mas a brincadeira merece reflexão, o tema não deixa de ser interessante.

Perder a virgindade fará diferença no comportamento sexual posterior?

Isto é, se a virgindade tivesse sido bem tirada da primeira vez, o comportamento que teve ao longo destes anos teria sido diferente?

Em que medida é que um hímen condiciona a forma como uma mulher se comporta? (não um íman, como pelos vistos alguns homens o designam, fruto sem dúvida da atracção desenvolvida)

Eu acho que condiciona, de tal forma que existem mulheres que o preferem perder sozinhas. Lembro-me de ter lido um artigo brasileiro sobre isso, já lá vão alguns anos.

Mas também acho que existem níveis diferentes de virgindade, e nem sempre a mais problemática de ser abandonada é a virgindade física.
Psicologicamente, muitas mulheres ficam virgens vidas inteiras, outras precisam de décadas para que o hímen mental se rompa e elas finalmente se entreguem sem receios a uma sexualidade que deveria ser natural.

sábado, novembro 22, 2003

Olhos nos Olhos II

Chico Buarque/1976

Quando você me deixou, meu bem
Me disse pra ser feliz e passar bem
Quis morrer de ciúme, quase enlouqueci
Mas depois, como era de costume, obedeci

Quando você me quiser rever
Já vai me encontrar refeita, pode crer
Olhos nos olhos, quero ver o que você faz
Ao sentir que sem você eu passo bem demais

E que venho até remoçando
Me pego cantando
Sem mas nem porque
E tantas águas rolaram
Quantos homens me amaram
Bem mais e melhor que você

Quando talvez precisar de mim
'Cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim
Olhos nos olhos, quero ver o que você diz
Quero ver como suporta me ver tão feliz

http://www.chicobuarque.com.br/letras/olhosnos_76.htm

Texturas construídas

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Experiência

“Experiência é o que ganhas quando não ganhas o que querias.”
“Um pessimista é um optimista com experiência.”

Não sei quem disse, mas achei graça…

sexta-feira, novembro 21, 2003

Olhos nos Olhos

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Acabei de ler “Olhos nos Olhos” de Júlio Machado Vaz.
Gostei, estranho seria não ter gostado dado a forma como avidamente sigo tudo o que (publicamente) faz, e o modo como a sua visão da vida me toca.
Experiência longa no contacto com outras vidas permitem-lhe contar histórias inventadas mas tão reais como se efectivamente tivessem acontecido.
E provavelmente aconteceram, não mimeticamente, não em todos os detalhes, não apenas a uma pessoa. Todos nós vamos colhendo a inspiração, vamos tomando lições, das pessoas que connosco se cruzam.
Eu sei que em alguns pontos dos vários contos me senti retratada, senti que existiam pontos de contacto, quer na forma de pensar, sentir, agir … quer mesmo no que posso chamar a “história da minha vida”.
E o que mais me fascinou neste livro é que apesar de ser um conjunto de contos, agradável, de leitura fácil, cativante, que pode ser lidos num sentido puramente recreativo, não deixa de ser um livro sobre sexologia que pretende ter uma função didáctica … e que o consegue, sem dúvida.
Se ainda não leram, não percam!
Não percam também Júlio Machado Vaz em:
Antena 1 – todos os dias da semana, cerca das 9:25 “O amor é…”
Antena 1 – Segunda-feira 23:59 – “olhos nos olhos” com Ana Lamy.
NTV, RTP1, RTPI e RTP Africa – “Estes difíceis amores” nos seguintes horários:

NTV - SABADOS - 22:OO DOMINGOS 19:30
RTP1 - TERÇAS FEIRAS - 1:30 (MADRUGADA DE SEGUNDA PARA TERÇA)
RTP I / RTP AFRICA - SABADOS - 23:45