domingo, outubro 19, 2003

Guerra dos Sexos

"Ninguém jamais vencerá a guerra dos sexos: há muita confraternização entre os inimigos".
(epígrafe do livro "A Vingança de Eva", de Henry Kissinger)

sábado, outubro 18, 2003

Cães e Gatos II

As generalizações são perigosas e injustas. Com razão me disseram “nem todos os gatos são assim”.
Existem gatos com os quais estabelecemos empatias que duram vidas inteiras, gatos que esperam ansiosos a nossa chegada a casa.
Existem cães que nos assustam e nos quais não conseguimos confiar.
Quando simplificamos algo estamos a reduzir âmbito, a tornar bidimensional algo que tem relevo, algo que tem nuances.

Eureka


Custou mas lá descobri. Acho eu.
Se conseguirem ver uma gaivota é porque ficou a funcionar.
Senão, lá terei de continuar a tentar.

quinta-feira, outubro 16, 2003

Cães e Gatos

Já se deram conta que quando chamamos alguém de gato tal funciona como um elogio, mas se o chamamos de cão é tomado como um insulto?
E no entanto …
O cão é leal e o gato traiçoeiro.
O cão é dedicado e o gato individualista.
O cão nos será fiel até à morte e o gato facilmente nos esquecerá.

terça-feira, outubro 14, 2003

Bucólica

A vida é feita de nadas:
De grandes serras paradas
A espera de movimento;
De searas onduladas
Pelo vento;

De casas de moradia
Caiadas e com sinais
De ninhos que outrora havia
Nos beirais;

De poeira;
De sombra duma figueira;
De ver esta maravilha:
Meu Pai a erguer uma videira
Como uma Mãe que faz a trança à filha.
MIGUEL TORGA

Tenho tido mais vontade de falar pelas palavras dos outros do que procurar a minha própria expressão.

Textos que me cativaram e que vão permanecendo na memória. Chega uma altura que eles têm tanto de mim como se fora eu a escreve-los tal é a empatia que se foi desenvolvendo.

A vida é feita de nadas, de pequenos nadas, coisas simples sem importância que nos deleitam. O vento morno de fim de verão que nos acaricia o corpo, o sentar à beira mar a ver as ondas e o brilho do sol que transforma em prata a espuma do mar. As gaivotas que se reúnem, para falarem do Verão que se foi, da praia que de novo conquistam e do tempo frio que não tarda aí.

Novas texturas que o areal ganha, marcas de muitas patas que o percorrem. A praia volta a ser de novo o seu feudo. No mar acompanham os barcos de pesca quando estes regressam da faina.

Adoro gaivotas, não sei explicar a razão.

domingo, outubro 12, 2003

Loucura

”O ímpeto de crescer e viver intensamente foi tão forte em mim que não consegui resistir a ele. Enfrentei meus sentimentos.
A vida não é racional; é louca e cheia de mágoa. Mas não quero viver comigo mesma. Quero paixão, prazer, barulho, bebedeira, e todo o mal.
Quero ouvir música rouca, ver rostos, roçar em corpos, beber um Benedictine ardente. Quero conhecer pessoas perversas, ser íntimas delas.
Quero morder a vida, e ser despedaçada por ela.
Eu estava esperando. Esta é a hora da expansão, do viver verdadeiro. Todo o resto foi uma preparação.
A verdade é que sou inconstante, com estímulos sensuais em muitas direcções.
Fiquei docemente adormecida por alguns séculos, e entrei em erupção sem avisar.”

Anais Nin

sexta-feira, outubro 10, 2003

VIDA...

Inglória é a vida, e inglório o conhecê-la.
Quantos, se pensam, não se reconhecem
Os que se conheceram!
A cada hora se muda não só a hora.
Mas o que se crê nela, e a vida passa.
Entre viver e ser.

Tudo que cessa é morte, e a morte é nossa.
Se é para nós que cessa.
Aquele arbusto.
Fenece e vai com ele.
Parte da minha vida.
Em tudo quanto olhei fiquei em parte.
Com tudo quanto vi, se passa, passo.
Nem distingue a memória.
Do que vi do que fui.


Se recordo quem fui, outrem me vejo.
E o passado é o presente na lembrança.
Quem fui é alguém que amo.
Porém somente em sonho.

E a saudade que me aflige a mente.
Não é de mim nem do passado visto.
Senão de quem habito.
Por trás dos olhos cegos.

Nada, senão o instante, me conhece.
Minha mesma lembrança é nada.
E quem sou e quem fui.
São sonhos diferentes.

Fernando Pessoa


terça-feira, outubro 07, 2003

Fui Clonado

Acordei e dei por mim clonado.

Pensava eu que era um ser único, irrepetível, e não é que me fazem um clone. Acho que me querem substituir. Mas eu não me deixo vencer sem dar luta. Só me rendo perante a evidência.

Seguiremos os dois juntos, vocês terão que descobrir as diferenças, qual passatempo de jornal.

The (not) only me - http://www.putadevida.blogspot.com/
O meu clone - http://putadevida.weblog.com.pt ou www.putadevida.weblog.com.pt.

segunda-feira, outubro 06, 2003

Comentários.

Hoje inaugurei a possibilidade de comentários no blog. Até agora não o tinha feito, não por recear as criticas, mas por ignorância e preguiça.
A ignorância de quem não sabe e a preguiça de quem pensa que aprender está fora do seu alcance e nem se esforça. Não sou habitualmente assim, mas em algumas coisas acabo acomodando-me, deixando para outros o perceber e depois explicarem-me.
E nem foi assim tão difícil, com instruções ao vivo e ao lado. E se me desse ao trabalho de ler as instruções, provavelmente também não seria nada fora do meu alcance.
Obrigada a quem me ajudou.
Depois dos comentários, aventurei-me no código html, aproveitei e alterei um pouco a imagem, ainda não está como quero, mas passo a passo me irei aproximando… ou talvez não, acho que irei alterando, sempre, para que sinta que até na imagem, um blog é algo dinâmico, nunca terminado.

domingo, outubro 05, 2003

Regressando de Hibernação.

A maior parte dos animais aproveita o Inverno para hibernar, esconde-se das agruras do tempo, e conforta-se com um longo sono.

Eu hibernei no verão. Deixei os meses passarem e o blog serenamente adormecido, com vida suspensa, à espera que o Outono chegasse, que o sol se escondesse e a chuva obrigasse a passar mais tempo entre quatro paredes.

E o tempo húmido não se fez esperar, as chuvas chegaram com força, e com elas as primeiras inundações. Se homem prevenido vale por dois, país desprevenido é um caos, e todos os anos se repete o mesmo, valetas com lixos acumulados, sarjetas entupidas e rios de água que não conseguem ser conduzidos pelas canalizações existentes e invadem tudo.

Somos um país de calamidades, cada vez mais me convenço disso, não porque mais sujeitos aos elementos da natureza mas porque nunca precavidos, sempre deixando para amanhã a prevenção que pode ser feita hoje. E quando as coisas acontecem, gostamos invariavelmente de culpar a PUTA DA VIDA.

Eu não tenho culpa, desde já o afirmo. É fácil culpar os outros, neste caso culpar-me a mim (PUTA DE VIDA). Em vez de me deitarem culpas, porque é que não fazem alguma coisa para que nas próximas chuvadas não volte a acontecer o mesmo.